O secretário-geral da ONG Contas Abertas Gil Castelo Branco, defendeu que deva haver limitação nos financiamentos de campanha. “Entendo que uma referência desse valor seriam os PIBs estaduais”, disse. Para ele, os financiamentos privados e também públicos (com Fundo Partidário e horário eleitoral) tornam as eleições brasileiras cada vez mais caras. Castelo Branco esteve no seminário “As eleições que nós queremos”, em Brasília.
Ele exemplificou que, em São Paulo, um único empresário, do ramo imobiliário, doou ao PT e PSDB R$3 milhões, R$1,5 milhão para cada partido. Existem investimentos em anos que não é eleitoral. “Essas doações são franciscanas, pois é dando que se recebe”, afirma Gil Castello Branco, fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas, no Seminário: eleições que nós queremos – transparência e ética na disputa eleitoral, realizado pela Associação Contas Abertas.
De acordo com Castello Branco, o ideal, para uma melhor administração política orçamentária, é adotar para cada região geográfica um teto fixo de investimento. Segundo ele, essa medida ajuda a coibir o “caixa dois”, torna a eleição mais justa, com uma maior igualdade e diminui o poder do capital. De modo que um candidato fiscalize o outro.
Gil ressalta a importância do desenvolvimento tecnológico em prol da internet, justificando que a distância entre a população e a política através dela é encurtada. “A informação correta e transparente é a melhor forma do eleitor confiar no seu candidato. O cidadão deve fiscalizar quem está financiando a campanha dos políticos”, conclui.
Ficha Limpa
Em ano de eleições, o interesse da população diante da política tende a ser mais incisivo e rigoroso. Alguns projetos foram criados através de iniciativa popular, como o Projeto Ficha Limpa, idealizado pelo juiz Márlon Reis, que reuniu cerca de 1,3 milhão de assinaturas em prol de inibir a corrupção no país.
“Devemos examinar naturalmente a vida pregressa dos candidatos. Se já foi condenado em primeira instância não é bom sinal, já merece um reexame”, declara Castello Branco.
Gil reconhece que o país vem avançando na questão da transparência, e consequentemente na questão da fiscalização. Ele acredita que com uma política melhor na qual o cidadão possa se integrar e saber quem financia os candidatos é crucial para o aprimoramento da política nacional.
“Os políticos reagem nem sempre por índole, mas muitas vezes pelo temor das próximas eleições”, alega Gil. Ele sustenta que essas manifestações causaram um susto na classe política, e essas próximas eleições já estará afetada.
Castello Branco certifica que os governantes também precisam estar informados, sobre a condição da sua “ficha”, de seus oponentes e aliados, para exercerem corretamente suas funções. “Essas informações são importantes para reorientar o comportamento, as politicas públicas e uma gestão por parte das autoridades de todos os poderes, executivo, legislativo e judiciário”, explica.
Por Elisa Whately – Agência De Notícias UniCEUB


