
O ministro das Relações Exteriores, José Serra, minimizou a reduzida presença de chefes de Estado na abertura e durante os jogos olímpicos no Rio de Janeiro. Dos 35 representantes confirmados, 19 são de países europeus. Para o chanceler, o fato não tem relação com um suposto distanciamento de nações africanas e asiáticas. “Isso não tem relação (com maior aproximação com a Europa). Isso depende da situação de cada país, a conjuntura, os critérios. O fato é que vem gente de todo o mundo curtir as Olimpíadas. Eles poderia assistir pela TV, mas vêm aqui. Estou torcendo para as Olimpíadas. Vai dar certo”, disse em entrevista à Agência de Notícias UniCEUB.
Serra, em evento no UniCEUB, em Brasília, também teve discurso conciliatório em relação a países afastados politicamente desde o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, em 12 de maio deste ano pelo Senado. “Cada governo toma a sua posição e, ao longo do tempo, confrontando-se com a realidade. Tudo evoluiu de maneira democrática e suave. Não houve nenhuma violação de direito individual no Brasil. Essa transição permitiu alívio no país. E o Senado vai votar democraticamente por uma solução definitiva”.
“Solução negociada”
A respeito da situação da Venezuela, o chanceler amenizou o tom de críticas. “Nós lamentamos a crise na Venezuela. Oferecemos inclusive ajuda porque a Venezuela tem um desabastecimentos de medicamentos de 95%. Nós oferecemos, inclusive, medicamentos dos nossos laboratórios públicos”, disse o ministro. O Itamaraty havia anunciado no mês passado que doaria remédios básicos para doenças como diarreia infantil e hipertensão.
Em relação à situação política, Serra alfinetou o governo de Maduro ao lembrar que nenhum país democrático mantém presos políticos. “O desabastecimento alimentar é trágico. Nenhum país democrático tem presos políticos. É uma situação muito aflitiva. Nós estamos dispostos a cooperar com toda solução democrática negociada”. Ele lembrou que os servidores naquele país estão trabalhando três dias por semana porque não tem energia para funcionar durante seis ou sete dias”.
Por Lucas Valença
Fotos: Tereza Sá / UniCEUB


