Uma das parcerias mais importantes da gestante pode ser o da doula, uma profissional encarregada de prestar suporte educativo, acolhedor e motivacional para que o processo da gestação. Inclusive, no mês passado, foi sancionada a Lei das Doulas (Lei nº 15.381/2026) que garante uma maior liberdade e a ampliação dos direitos dessas profissionais.
Assistência e informação
A doulagem é uma profissão que auxilia as mulheres gestantes no período perinatal, que é o ciclo da gestação, durante o parto e também no puerpério, que é a etapa após o parto da criança.
A doula Rafaela Epping, de 37 anos, atua há cinco anos na profissão. De acordo com ela, os três pilares na atividade incluem prestar um suporte informativo, físico e emocional.
Segundo ela, cada pessoa dentro da sala de parto tem uma função e a da doula é prestar esses três suportes.
Rafaela indica que, para ela, o pilar mais importante é o de ensinar para a gestante e sua rede de apoio todas as informações no período antes do nascimento para que eles compreendam todas as opções que estão disponíveis.

“O mais importante do suporte da doula é mais no antes do que no durante, porque o conhecimento é libertador”. O suporte informativo e a educação perinatal são divididas em tópicos tudo que é relacionado à gestação parto e puerpério para que ela se sinta mais segura e possa fazer decisões saudáveis e também para gerar uma maior autonomia para a mulher durante essa fase”, disse.
No puerpério, o corpo da mulher passa por intensas transformações, sendo elas principalmente hormonais por conta da queda maior de progesterona e estrogênio.
Isso pode vir a acarretar problemas emocionais como o Baby Blues, que é uma tristeza passageira, diferente da depressão pós-parto.
Além dessa condição, podem acontecer também problemas durante a amamentação da criança o que, da mesma forma, pode trazer dificuldades para a relação da mãe com o bebê.
São contratempos como esses que as doulas ajudam a amenizar e oferecem o suporte necessário para que as pessoas da rede de apoio da gestante também entendam como podem ampará-la nessas situações.
Os desafios
Outra função da doula é a de evitar que aconteça violência obstétrica dentro das salas de parto, o que, infelizmente, ocorre com uma certa frequência no país.
De acordo com pesquisas feitas pela Fiocruz, uma em cada quatro mulheres sofrem violência obstétrica ou já relataram algum abuso ou desrespeito durante o parto.
A profissional relata que, com a presença de uma doula na sala de parto, o índice desse tipo de violência diminui consideravelmente.
“Só a nossa presença já faz com que o índice de violência dentro da sala de parto diminua”.
Ela cita que as famílias querem ter informação sobre analgesia e os procedimentos previstos. “É isso que elas procuram, o máximo possível de informação”, afirma.
Serem impedidas de estar com a gestante e o acompanhante dentro da sala de parto é uma das adversidades que as doulas enfrentam em muitas maternidades Brasil afora.
Rafaela Epping alega que, dentro da ética de assistência, a doula não substitui o acompanhante pois não possuem um vínculo emocional com a gestante e, graças à nova lei, os hospitais não podem barrar a permanência da doula com a gestante durante o parto.
A sanção da lei
Com a sanção da Lei das Doulas, essa profissão passa a ser considerada como um profissional da saúde e isso assegura vários direitos para as doulas.
De acordo com a especialista, a luta por esses direitos, para conseguir trabalhar, já vem de muitos anos e essa sanção foi uma conquista imensa para essas profissionais.
Rafaela diz que o próximo passo após a regularização da profissão é a criação de um conselho para melhor atender as doulas de todo o País.
“Essa conquista realmente foi histórica, porque foi muito difícil. Mas o que falta, na minha concepção, é o conselho. Porque a regulamentação a gente já tem, mas tendo um conselho profissional, eu acredito que seria ainda mais vantajoso”, alega.
Por Maria Eduarda Barros
Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira


