Esteticista com vitiligo diz que é preciso derrubar preconceitos relacionados à doença

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O vitiligo ainda é uma doença cercada de preconceitos e estigmas, segundo avaliam especialistas e pacientes. Para a esteticista Dayane Alkmim, que tem o problema, essa é uma condição vai muito além da aparência. Envolve ainda aceitação, saúde mental e emocional, além de enfrentamento diário.

Ela teve seu diagnóstico apenas com 13 anos de idade. Ela conta que, entre 7 e 8 anos de idade, começou a aparecer algumas pequenas manchas na sua pele, principalmente depois que ela se machucava e ocorria o processo de cicatrização.

Foto: Creative Commons

O que é o vitiligo

O vitiligo é uma condição de pele auto imune caracterizada pela perda de pigmentação em algumas partes do corpo, formando manchas brancas de vários tamanhos diferentes. 

Dayane recorda que isso acontece porque o próprio corpo ataca as células responsáveis por produzir melanina, que deixam de funcionar ou são destruídas.

“O corpo não entende se essas células fazem parte do nosso corpo ou se são algum tipo de invasor e acaba atacando elas. Por isso que a gente fica com a pele com essa tonalidade mais branca”, diz a esteticista.

“O melanócito não funciona mais. Ele não fabrica mais pigmentos. Mas não se sabe ainda o porquê que isso acontece”, complementa.

A condição não é contagiosa e pode afetar qualquer pessoa, não importa a idade, tom de pele ou gênero.

A vivência na pele

Dayane Alkmim foto: Arquivo pessoal

De acordo com a esteticista, os pais achavam que as manchinhas em sua pele eram algo normal e não deram a devida atenção. Ela começou a desenvolver entre 7 e 8 anos de idade.

“Se eu me machucasse, onde tava para cicatrizar ficava branco. E eu também tinha muito no pé, mas, em geral, elas eram poucas. Como era só uma coloração diferente do meu tom de pele eles (os pais) não foram atrás para saber”, lamenta Dayane.

“As manchinhas começaram a crescer um pouco mais porque eu comecei a entrar na adolescência. Eu tinha uma professora, que tinha umas manchinhas, e uma colega de sala virou para ela e disse: “Ah, professora, a Dayane tem as mesmas manchinhas que você tem”.

A professora perguntou a ela se tinha vitiligo. Foi ali que deu-se o nome às manchinhas que eu tinha que até então eu não sabia o que eram, aos meus 13 anos de idade. Então fui procurar a opinião de pessoas da saúde.” diz Dayane.

Para a entrevistada, falar sobre o vitiligo foi algo muito difícil principalmente pelos julgamentos das pessoas e do bullying que ela sofreu na infância.

“Foi muito difícil, para mim, aceitar falar do vitiligo, porque eu não me sentia bem. Toda vez que as pessoas me perguntavam o que eram minhas manchas eu chorava. Então assim, eu só consegui mesmo falar do vitiligo adulta, com quase 30 anos.” 

Pressão estética

Dayane diz que não chegou a passar por momentos em que as pessoas achariam que sua doença fosse contagiosa, mas ela relembra que na escola as crianças utilizavam de apelidos e outras formas para que ela se sentisse inferior pela sua condição.

“Eu não cheguei a pegar essa parte tão cruel de quem é tem vitiligo de acharem que é algo contagioso. O que eu peguei de cruel foi colocarem apelidos que não eram tão bacanas. Mas graças a Deus, no meu tempo eu já não peguei essa parte do “contágio” , porque já foi muito cruel para mim, então acho que se eu tivesse pegado essa parte também, teria sido pior do que foi.” explica.

Dayane narra também que ao longo da sua carreira na estética nunca trabalhou ou atendeu alguém que tenha a mesma condição que ela.

“Eu não sei se as pessoas com vitiligo elas se escondem igual eu me escondia quando era mais jovem”.

Cuidado Emocional

O cuidado emocional é muito importante, principalmente após receber o diagnóstico. Para Dayane a terapia é um ponto fundamental e foi isso que a ajudou no seu processo.

“Para quem tem vitiligo, terapia é algo que vai ser para a vida inteira, porque a gente precisa trabalhar a cabeça.”

Por Beatriz Ribas, Maria Eduarda Barros e Maria Eduarda Camões

Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira

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