Com 13 indicações ao Oscar de 2026, o longa dirigido pelo aclamado Paul Thomas Anderson (Sangue Negro), é visto como favorito na principal categoria da premiação.
O filme que estreou nos cinemas brasileiros em 25 de setembro de 2025, e chegou no streaming pela HBO max em 19 de dezembro do mesmo ano, traz Leonardo di Caprio (Titanic) no papel de Bob Ferguson, um ex-revolucionário que vive isolado com sua filha em um mundo marcado por instabilidade política.

Trama
Bob Ferguson, um ex-revolucionário que prefere o silêncio do isolamento às promessas grandiosas da política, tenta levar uma vida discreta ao lado da filha, longe das batalhas que um dia ajudou a travar.
A aparente tranquilidade, porém, dura pouco quando velhos aliados, inimigos e interesses do Estado voltam a cruzar seu caminho. Bob se vê novamente arrastado para um cenário de perseguições e disputas de poder, como se o passado insistisse em cobrar, com juros, cada escolha feita em nome de uma causa.
A partir desse retorno involuntário ao conflito, o filme constrói uma jornada caótica e irônica, em que confrontos armados e situações absurdas caminham lado a lado.
Mais do que acompanhar uma simples missão ou fuga, a trama parece interessada em expor o desgaste das utopias políticas e a circularidade da violência: em um mundo onde cada vitória gera um novo confronto, a sensação é de que, como sugere o próprio título, toda batalha apenas prepara o terreno para a próxima.
Entre a ficção e a política real
O mundo do filme conversa diretamente com tensões políticas que vemos hoje nos Estados Unidos, mostrando crises de imigração, vigilância e controle social.
Com refugiados aparecendo na trama e ameaçados por forças que lembram o ICE (Immigration and Customs Enforcement), o filme aproxima o espectador da realidade do país, mostrando como certas instituições podem complicar ou até radicalizar a vida de quem é mais vulnerável.
É como se a distopia servisse como um espelho exagerado para criticar a burocracia e a violência institucional.
Ao mesmo tempo, a história destaca a complexidade de quem vive nesse cenário: assim como Bob Ferguson tenta se afastar do conflito, pessoas reais batalham todos os dias para sobreviver e manter sua dignidade em sistemas rígidos e muitas vezes hostis.
Essa ponte entre a ficção e a política real faz o filme ir além do entretenimento, provocando reflexão sobre o papel do Estado, a responsabilidade individual e como certos ciclos de opressão parecem se repetir ao longo da história.
Confira o trailer de “Uma Batalha Após A Outra”
Premiações e indicações
Depois de ganhar destaque em algumas das principais premiações da indústria, “Uma batalha após a outra” já soma mais de 20 troféus. Entre eles estão o prêmio de Melhor Filme no Critics’ Choice Awards e Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro, além de diversas conquistas em categorias individuais.
Agora, o longa chega ao Oscar 2026 com a intenção de estender essa marca, acumulando 13 indicações e reforçando seu favoritismo na principal categoria da noite.
As categorias em que o filme concorre são:
- Melhor filme
- Melhor ator (Leonardo di Caprio)
- Melhor atriz coadjuvante (Teyana Taylor)
- Melhor ator coadjuvante (Sean Penn)
- Melhor ator coadjuvante (Benício Del Toro)
- Melhor direção (Paul Thomas Anderson)
- Melhor roteiro adaptado
- Melhor trilha sonora
- Melhor fotografia
- Melhor design de produção
- Melhor som
- Melhor montagem
- Melhor elenco
Atuações
A condução emocional da história recai principalmente sobre Leonardo DiCaprio, que entrega um protagonista marcado pelo cansaço e pela contradição. Longe do arquétipo do herói carismático, o ator aposta em uma interpretação mais contida, quase desencantada, que combina bem com o espírito cínico e circular da narrativa.
Entre os coadjuvantes, Teyana Taylor se destaca pela intensidade e presença em cena, construindo uma personagem que mistura firmeza política e vulnerabilidade pessoal.
Já Sean Penn surge com a energia imprevisível que costuma marcar seus papéis, funcionando quase como um catalisador do caos que cerca Bob.
Mesmo fora da corrida pelo Oscar, Chase Infiniti merece destaque ao interpretar a filha de Bob. Sua atuação traz uma camada importante de humanidade à trama, equilibrando a escala política da história com conflitos mais íntimos. A jovem atriz funciona como contraponto geracional ao protagonista, representando alguém que herdou as consequências das antigas revoluções sem necessariamente compartilhar das mesmas convicções.
Direção
Na direção, Paul Thomas Anderson imprime marcas muito reconhecíveis de sua filmografia: longos movimentos de câmera, cenas conduzidas pelo ritmo dos diálogos e um interesse constante por personagens cheios de contradições.
O resultado é um filme propositalmente caótico, em que a encenação dinâmica e a atenção às atuações ajudam a transformar a distopia em uma sátira ácida sobre revoluções, ideologias e seus inevitáveis ciclos.
Técnica e arte
A fotografia usa cores frias e ângulos precisos para transmitir a tensão constante do mundo do filme.
O design de produção e a direção de arte completam o clima, com cenários e detalhes que dão personalidade à distopia e reforçam seu humor irônico.
Ficha técnica
- Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson.
- Data de lançamento: 25 de setembro de 2025.
- Duração: 2 horas e 42 minutos (162 minutos.)
- País de origem: EUA.
- Gênero: Drama, Ação, Suspense.
- Elenco: Leonardo di Caprio (Bob Ferguson), Sean Penn (Steven J. Lockjaw), Teyana Taylor (Perfidia).
Por Átila Lustosa
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


