Com recordes de temperatura, a 28º edição da Festa do Morango foi marcada por dificuldades de produção.
A 28º edição da Festa do Morango ocorreu nos primeiros finais de semana de setembro, 06 a 09 e 12 a 15. A fruta protagonista do evento enfrentou dificuldades com o período intenso de chuva no início do ano e seca prolongada, que afetaram a produção.
O evento acontece tradicionalmente em Brazlândia, que compõe 96% do cultivo de morango. Em 2023, a Festa do Morango comercializou mais de 6,5 mil toneladas de morangos, a expectativa de crescimento é de 7% este ano.

Caixas de morango à venda no 28ª Festa do Morango em Brazlândia. Foto: Anna Greg
Dificuldades na produção
Junto a outras, o calor é também uma dificuldade para o pseudofruto, uma vez que antecipa a maturação, como aponta a produtora rural Fran Piassi.
“Devido ao calor, a colheita foi castigada, porque está muito quente. O morango amadurece muito rápido e fica mais perecível. Acima de 35 graus começa a ter abortamento de frutos, além dela ser acelerada.”

Produtora rural, Fran Piassi, vendendo morangos. Foto: Anna Greg
O registro de seca no DF, que está há mais de 145 dias sem chuva, permite uma irrigação mais eficaz quando utilizada apenas na raiz.
De acordo com a vendedora de morangos Regina Dutra, 32 anos a época da seca pode ser ótima para as plantas, mas é preciso ter rígida irrigação.
“A nossa maior preocupação como agricultor é a época da chuva porque é quando estraga mais os produtos, então agora é uma época boa para a produção”.
A dificuldade agora é outra
O período de chuva requer mais uso de agrotóxicos do que a seca, mas, ainda assim, afeta a utilização em decorrência de ácaros e aracnídeos que atacam o morango em condições de alta temperatura e baixa umidade intensificada.
“Cada ano que passa estamos vendo recordes de temperaturas e isso dá algum impacto em algumas cultivares. Todo ano a gente tem que entrar com novos métodos para testar em função das mudanças climáticas.” Aponta o técnico em agropecuária da Emater-DF, Hélio Lopes.
O morango é um pseudofruto de climas temperados e amenos. Com registros crescentes de temperatura a cada ano, percebe-se alteração de cultivos, tornando necessário o uso de cultivares e agrotóxicos, para maior resistência a altas temperaturas.
De acordo com análise da Anvisa, o morango ocupa o 2º lugar em uso de agrotóxicos no Brasil.
“A questão da fruta ser orgânica pode ser filosófica. O morango orgânico é mais caro, às vezes oferecem um produto melhor e mais caro, mas nem toda a população está preparada para arcar com os custos, por isso é um nicho no mercado. Para atender toda a demanda da produção se faz necessário o cultivo convencional”, adiciona Hélio Lopes.
Por Ana Clara Mendonça, Anna Greg, Davi Moisés
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira