Mulher de farda: oficial dentista do Exército chegou a participar de libertação de reféns no Sudão do Sul

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Integrante da primeira turma de oficiais temporárias do serviço de saúde do Exército, a tenente-coronel Renata Monteiro, que é dentista, afirma que ficou marcada por uma experiência profissional, em 2023, como observadora militar da ONU no Sudão do Sul. Ela tem 28 anos de farda.

Durante essa missão de paz, a oficial observava e reportava ao escalão superior questões que pudessem infringir os direitos humanos.

Durante esse serviço, ela viveu um momento de tensão no qual houve um conflito no campo de refugiados em que uma etnia fez mais de 100 pessoas de reféns, dentre elas 70 crianças e 30 mulheres.

Então, ela e um grupo pequeno de mulheres, capacetes azuis, conseguiram negociar para retirar aquelas 100 pessoas com vida. Mesmo sendo um momento difícil para ela para sempre será inesquecível

“Eu e um grupo de mulheres, só as mulheres de capacetes azuis podiam entrar, porque de uma maneira ou de outra, nós não oferecemos tanta ameaça, naquele momento. Conseguimos negociar a saída daquelas 100 pessoas com vida. E foi um momento muito tenso, mas a gente conseguiu resgatar essas pessoas com vida e tinham 70 crianças para quem é mãe foi inesquecível, foi uma missão de sucesso muito grande”, disse a militar

Carreira

Filha de um oficial da Marinha, Renata não tinha possibilidade de ingressar na carreira militar, já que havia iniciado a universidade de odontologia.

Ainda na sua pós-graduação, surgiu a possibilidade das mulheres ingressarem no exército. E, por inspiração de seu pai, o conselho de uma amiga, Renata incorporou na turma de oficiais temporárias. Depois que fez o concurso para seguir carreira.

Foto: Acervo pessoal

Pioneirismo

Formada em 1994 em odontologia e pós-graduada endodontia, Renata entrou para as forças armadas em 1996 juntamente com 75 mulheres que incorporaram a primeira turma de oficiais temporárias. Este cenário novo trouxe para essas mulheres aprendizados e as motivou a vencer os medos e inseguranças conquistando cada vez mais seu espaço.

 “Quando eu entrei senti medo de não dar conta, aquela pressão das atividades, da rotina, atividade física e das legislações, porque é um aprendizado constante. Então, a gente tinha aquele compromisso de fazer bem feito, de mostrar que nós éramos também capazes de executar todas aquelas atividades.“, afirmou Renata

Serviço militar

A partir de 2025, mulheres que completaram 18 anos em 2025, poderão se inscrever no alistamento militar feminino não obrigatório. A iniciativa chegou a atingir mais 32 mil inscrições no primeiro mês de adesão. As jovens competem por 1.465 vagas em 28 municípios de 13 estados, além do Distrito Federal.

Para Renata, essa iniciativa é uma ótima oportunidade para a incorporação das mulheres em todos os níveis.

 “Estou muito feliz do que eu estou vendo. Hoje as mulheres são muito presentes nas missões, nas lideranças, comandando hospitais, comandando postos médicos e outros órgãos. Eu vejo um futuro muito bom das mulheres nas Forças Armadas“, disse.

Essa novidade trouxe muitos questionamentos relacionados se as Forças Armadas tem uma estrutura para receber as mulheres nos quarteis. A tenente-coronel afirmou que o Exército está preparado para, se houver necessidade, com mecanismos de denúncia e apuração bem eficientes.

 “O Exército trata com muita seriedade, qualquer caso de assédio ou relacionados, então a gente tem meios de verificação e de punição, eles têm muito cuidado com isso, eu nesses 28 anos, eu nunca passei por uma situação delicada”, garante.

Por Madu Suhet e Beatriz Vasconcelos

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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