Ministério da Justiça: o primeiro pedido de demissão foi com Sarney; Moro, o 8º

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O ex-juiz ficou no cargo por 1 ano e 4 meses e saiu acusando Jair Bolsonaro de intervenção política na Polícia Federal

Em 24 de abril, Sergio Moro pediu demissão do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. O ato foi impulsionado pela exoneração do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, pelo presidente Jair Bolsonaro. A ação surpreendeu Moro que afirmou não ter sido consultado sobre a decisão nem assinado a publicação que saiu no Diário Oficial da União (DOU).

Moro foi o 8º ministro a sair do governo Bolsonaro. Ficou no cargo durante 1 ano e 4 meses e entrou para a lista de ministros da pasta que pediram demissão. Confira um histórico dos ex-ministros da Justiça:

A pasta foi criada em 1822, mas recebeu o nome de Ministério da Justiça em 1967 sob comando de Luiz Antônio da Gama e Silva. Desde então, o primeiro a pedir demissão do cargo foi Oscar Dias Correia em 1989 durante o governo de José Sarney. Ele deixou a pasta por divergências com a equipe econômica da época e as políticas antiinflacionárias.

Em outubro de 1990, Bernardo Cabral deixou o comando do Ministério da Justiça por supostamente manter um romance com a então ministra da Economia Zélia Cardoso. Ele saiu seis meses após assumir a pasta durante o governo de Fernando Collor de Melo. Seus sucessores foram Jarbas Passarinho e Célio Borja.

Durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, 10 ministros passaram pelo Ministério da Justiça. Entre eles, Iris Rezende que deixou o cargo em 1998 para concorrer ao governo de Goiás. O sucessor, Renan Calheiros ficou 1 ano e dois meses no comando e pediu para sair por estar sendo acusado de corrupção. Na época, a PF foi acusada de ser corporativistas.

José Carlos Dias foi o sucessor de Renan Calheiros. Ainda no governo FHC, Dias permaneceu no comando do Ministério da Justiça até abril de 2000. O principal motivo da demissão era a divergência do então ministro com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Um dos assuntos de embate era a descriminalização da maconha, sendo José Carlos Dias a favor da medida e a Senad contra.

Em abril de 2002, Miguel Reale Júnior assumiu a pasta. Permaneceu até julho do mesmo ano, quando pediu demissão por ter sido desautorizado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a levar adiante a proposta de intervenção federal no Espírito Santo. O estado estava passando por um onda de violência, escândalos de lavagem de dinheiro e a virtual ligação de políticos com o narcotráfico e o crime organizado. O presidente acreditava que a entrada de militares não era necessária. Por ser contrariado, Reale Júnior deixa o Ministério. Seu sucessor foi Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, que ficou no Ministério da Justiça até o fim da gestão de FHC, em 2003.

O último ministro a pedir demissão, antes de Sergio Moro, foi Tarso Genro. Nomeado por Lula, ele ficou no Ministério da Justiça de março de 2007 a fevereiro de 2010. Saiu para iniciar a campanha ao governo do Rio Grande do Sul.

Por Samara Schwingel

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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