Bruno Gagliasso, que interpreta Honestino, defende mais filmes que denunciem violações da ditadura

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O ator Bruno Gagliasso, que atua como Honestino Guimarães em documentário híbrido sobre o líder estudantil assassinado em 1973, afirmou, no lançamento da obra em Brasília (DF), que são necessários mais filmes que abordem a ditadura militar.

Bruno Gagliasso interpreta Honestino. Foto: João Pedro Carvalho/Agência Ceub


Ele esteve, na quarta-feira (12), na pré-estreia do filme “Honestino”, no Cine Cultura do Liberty Mall. Na ocasião estavam presentes também o diretor do filme, Aurélio Michiles, e o produtor Nilson Rodrigues.

“Nunca vai ser o suficiente. Acho que quem fala isso não vê o nosso cinema. No nosso cinema fazemos de tudo, e também sobre esse período porque é a nossa história e cinema é isso”, disse o ator.

O produtor Nilson Rodrigues repudiou também alegações de que haveria uma primazia de temas da ditadura na temática de ficção no Brasil. Ele citou que a Argentina faria mais obras com esse assunto.

“Nós fizemos muito pouco. Se nós fizemos 30, a Argentina fez mais de 100”, contou o produtor.

“Poucos registros”

Já na produção do filme, Aurélio Michiles comentou o desafio de montar um documentário de um figura que não havia deixado muito registros, muito pela questão política da época.

Aurélio Michiles diz que foi difícil encontrar imagens de Honestino. Foto: João Carvalho/Agência Ceub

Uma das saídas escolhidas pela equipe de produção foi misturar relatos e documentos com cenas ficcionais. Segundo o diretor, essa solução permitiu criar um Honestino dos dias atuais e representar a história como algo vivo.

“Ao recorrer à linguagem onde o espaço histórico não é obedecido rigorosamente, é uma coisa provocadora, para pensarmos que a história é dinâmica, ela é viva”, disse Aurélio.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, defendeu a necessidade de tratar de temas como o de Honestino (que foi presidente da UNE) no momento de maior recrudescimento da ditadura.

“O filme é importante justamente por mostrar um pouco das consequências desses sistemas autoritários que afetaram grande parte da população brasileira e especialmente a juventude. Mesmo após 60 anos ainda precisamos mostrar para a população quais foram as reais consequências daquela ditadura e o legado que ela deixou. Um legado de medo, silêncio, morte e perseguição”, completou.




Por Paulo Renato Mac-Culloch

Fotos: João Pedro Carvalho

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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