
Créditos: Sophia Santos. Manifestação “Ato da Virada”.
Brasilienses que se identificam na comunidade LGBT manifestaram-se em atos no Distrito Federal pela manutenção de direitos sociais, independentemente de quem sair vitorioso nas urnas eleitorais neste domingo (25).
Os manifestantes reivindicaram diversos temas como direitos trabalhistas, acesso à educação pública e luta contra a LGBTfobia.
Há uma preocupação em especial com a eventualidade da vitória do senador Flávio Bolsonaro.
Isso porque já houve manifestações preconceituosas gravadas do candidato. Em 2011, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio afirmou que “o normal não é a pessoa ser homossexual”
No entanto, em evento na cidade de Fortaleza (CE), Durante um evento de campanha em Fortaleza (CE), em outubro, afirmou que o público LGBTQIA+ é “sempre muito bem-vindo” e que “ninguém tem o direito de se meter na forma como você quer ser feliz”.
Receios
Dentre as pessoas presentes no protesto, estava o fisioterapeuta Gustavo Liminari, de 25 anos, que se identifica como um homem gay.
Ele acredita que a normalização dos discursos de ódio vindos do senador Flávio Bolsonaro e de apoiadores abre portas para a perda gradual dos direitos conquistados hoje.
“No governo Lula, se eu sofrer alguma violação, eu sei que vou ter um amparo civil e penal. Já com o outro candidato, eu sinto que o futuro é incerto para a gente”, diz Liminari.
Medo de violência
Henrique Lopes, 26, diretor criativo e parceiro de Gustavo, compartilha o receio de ataques com a possível vitória de Bolsonaro.
“Tenho medo disso dar liberdade às pessoas de acharem que elas podem cometer violência contra a minha comunidade. Esse é o meu maior medo”.
A estudante lésbica Sara Maria, de 17 anos, também teme o resultado das votações. “Eu tenho muito medo do Flávio ser eleito, porque eu tenho medo de perder meus direitos como mulher, como LGBT, como pessoa negra também”.
Sara votou em Lula no primeiro e segundo turno deste ano, com a motivação de seguir com o legado do seu avô, que a ensinou muito durante a vida e também era eleitor do atual presidente da república.
“O governo do Lula não me fornece um acesso pleno, mas ele também não me regride totalmente. Então ele consegue me dar abertura para que eu mesmo eu faça esse acesso, entende?”, afirma a empresária e bartender Valkyria Lounard, 28, travesti não- binarie, pansexual e demisexual.
Propostas
O plano de governo do Lula, disponível no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não cita projetos específicos destinados ao cidadãos vulneráveis em decorrência da orientação sexual e/ou identidade de gênero, porém o documento cita que eles estarão incorporados em planejamentos e construção de políticas públicas que os atendam de forma justa, adequada e inclusiva.
O material menciona o enfrentamento de diversos tipos de discriminação e a garantia dos direitos das minorias como mulheres, negros, povos indígenas e quilombolas e a população LGBTQIAPN+ por meio da justiça tributária.
Além de outros planejamentos, é previsto ações para o combate à LGBTfobia, mas não cita quais serão as ações.
O candidato Flávio não apresenta propostas de inclusão para a comunidade LGBTQIAPN+ em seu plano de governo.
Representatividade na política
O fisioterapeuta expressa sentir falta de pessoas que representam as minorias em cargos políticos que tentem explicar as necessidades de cada grupo de forma didática.
“Eu sinto que essa falta de paciência de explicar os motivos sociais, desconecta a gente da parte da direita”, diz.
Valkyria acredita que, para os avanços da comunidade acontecerem, é necessário difundir culturas e uma conscientização geral da população por parte da sociedade.
“Eu percebo que as pessoas são muito pouco cultas, mas não por ignorância porque elas são privadas de conhecimento”, comenta.
Para haver avanço na política para a comunidade, a empreendedora explica que o conhecimento é necessário e exemplifica: “Essas pessoas chegam a mim, enquanto travesti, e querem me perguntar sobre o que é ser drag queen, porque elas não fazem ideia da diferença entre uma drag queen e uma travesti…”.
Por Manuela Mendonça
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


