Messi faz 3 gols contra Argélia e entra para história das Copas

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A vitória por 3 a 0 da Argentina sobre a Argélia na estreia da Copa do Mundo de 2026, nesta terça-feira (16/6), carrega um peso muito maior do que apenas três pontos no grupo J.

Com três gols, Lionel Messi chegou aos 16 gols em mundiais e igualou o alemão Miroslav Klose como maior artilheiro da história do torneio.

Aos 38 anos, quando muitos já teriam se despedido dos grandes palcos, o camisa dez segue desafiando a lógica e o tempo.

Chamado de E.T ao longo da carreira, Messi continua dando razões para o apelido.

A cada partida, prova não pertencer ao comum e que, para as lendas, o impossível é apenas mais um recorde à espera de ser quebrado.

Às 21h56, quando as equipes pisaram no gramado, o passado já parecia ecoar entre os nomes da arbitragem.

O polonês Szymon Marciniak não era um estranho, fora dele o apito responsável por selar, na final da Copa do Mundo de 2022, a consagração da Argentina e a coroação de Messi com o tão sonhado título mundial.

Para os argentinos, o reencontro tinha sabor de reencontro consigo mesmos, dos 26 nomes convocados para o Mundial, 17 carregavam nas pernas a glória daquela campanha de 2022, quando ergueram a taça e escreveram seus nomes na história.

E às 22h03, com um breve atraso, o apito do árbitro rompeu o silêncio e deu início à caminhada de mais duas seleções em direção ao sonho mundial.

Quatro anos depois de tocar o céu com as mãos no Catar, a Argentina voltava aos gramados de uma Copa do Mundo.

Diante da Argélia, os atuais campeões buscavam escrever, em 2026, um novo capítulo na história.

Na escalação, rostos conhecidos remetiam à conquista de 2022 e outros simbolizavam a renovação da Albiceleste.

Estavam em campo Emiliano Martínez, Montiel, Romero, Lisandro Martínez, Enzo Fernández, Rodrigo De Paul, Alexis Mac Allister, Lionel Messi e Lautaro Martínez, remanescentes da campanha do tricampeonato.

Ao lado deles, surgiam novidades como Medina e Thiago Almada, encarregados de dar novos contornos a uma geração que tentava, mais uma vez, eternizar seu nome na história do futebol.

Lionel Messi entrava em campo carregando a história nos pés. Aos 38 anos, tornava-se o primeiro jogador a disputar seis Copas do Mundo.

Assim, o camisa dez não demorou a mostrar ainda ser capaz de decidir. Aos cinco minutos, recebeu passe de Lautaro Martínez na pequena área, dominou com a serenidade de sempre e finalizou sem chances para Luca Zidane.

O estádio explodiu, mas a bandeira se ergueu e o gol foi anulado por impedimento.

A resposta da Argélia veio rapidamente e, assim como a briga entre torcedores argelinos e argentinos na Times Square, em Nova Iorque, na véspera da partida, o duelo dentro de campo também prometia pegar fogo.

Chaïbi apareceu bem na área e finalizou de primeira, no canto direito de Dibu Martínez, chegando a balançar as redes, mas o VAR entrou em ação e anulou o gol por impedimento.

Mas a noite parecia ter sido escrita para ele. Aos 15 minutos, Messi recebeu a bola com um raro pedaço de liberdade à frente.

Caminhou alguns passos, ergueu a cabeça e, com a perna esquerda responsável por encantar o mundo há quase duas décadas, disparou de fora da área.

A bola beijou a rede e o estádio explodiu. Com o feito, Lionel Messi chegou a 22 participações em gols em Copas do Mundo e ultrapassou ninguém menos que Pelé.

A Argélia parecia intimidada em campo, e quase viu as esperanças voltarem após Messi acertar as travas da chuteira na panturrilha do camisa três Mandi.

Contudo, mesmo com os pedidos de expulsão, o craque não recebeu sequer cartão amarelo. Assim, apesar dos esforços argelinos, a Argentina foi ao intervalo vencendo por 1 x 0.

Na volta do intervalo, a Argentina retomou o controle da partida e quase ampliou aos oito minutos. E, como em tantos outros momentos da noite, tudo passou pelos pés de Messi.

O camisa dez encontrou Lautaro Martínez em profundidade com um passe milimétrico. O atacante invadiu a área e bateu no canto direito, mas Luca Zidane se esticou e fez grande defesa.

A noite, definitivamente, pertencia a Lionel Messi. Aos 14 minutos da segunda etapa, a Argentina voltou a encontrar o caminho das redes.

Mac Allister arriscou de fora da área, Luca Zidane espalmou, mas a bola sobrou limpa justamente para o homem que jamais pode ser deixado sozinho.

Messi apareceu como quem já conhecia o roteiro, empurrou para o gol e fez explodir o estádio mais uma vez. Com o tento, o camisa dez chegou aos 15 gols em Copas do Mundo, igualando Ronaldo Fenômeno e ficando a apenas um de alcançar os 16 de Miroslav Klose, o maior artilheiro da história dos Mundiais.

Messi e a Argentina não diminuíram o ritmo. Cinco minutos depois, o camisa 10 voltou a receber na intermediária, ajeitou o corpo e arriscou mais um chute de fora da área. A bola tinha endereço, mas Luca Zidane se esticou e salvou a Argélia.

Messi seguia jogando em um nível como se cada toque na bola carregasse uma mensagem silenciosa para Miroslav Klose: “Eu ainda estou aqui”.

O relógio avançava e Messi parecia jogar contra o próprio tempo. Aos 30 minutos, mais uma vez ele apareceu. Sim, de novo.

O terceiro gol do camisa dez, um gol histórico. Recebeu na entrada da área, ergueu a cabeça e bateu no canto direito, sem dar qualquer chance a Luca Zidane.

A bola beijou a rede e, junto dela, a eternidade. Com o hat-trick, Lionel Messi chegou ao 16º gol em Copas do Mundo e igualou o alemão Miroslav Klose como maior artilheiro da história dos Mundiais.

Chamado de E.T durante toda a carreira, o argentino sempre fez jus ao apelido. Aos 38 anos, segue desafiando a lógica, os recordes e o tempo, provando, mais uma vez, que talvez realmente não seja deste mundo.

Aos 34 minutos, o técnico argentino, Lionel Scaloni, decidiu que era hora de preservar sua obra-prima.

Messi deixou o gramado sob uma chuva de aplausos e uma ovação ensurdecedora das arquibancadas.

De pé, a torcida argentina reverenciava não apenas um jogador, mas um ídolo que atravessou gerações e transformou o impossível em rotina.

Enquanto caminhava lentamente em direção ao banco de reservas, parecia que o tempo havia parado por alguns instantes.

E, em algum lugar além das arquibancadas, era impossível não imaginar Diego Maradona observando a cena com um sorriso no rosto e aplaudindo aquele que herdou a camisa 10 e a carregou até a eternidade.

Não havia tempo para mais nada. O hat-trick de Messi deu a vitória a Argentina e também a primeira vitória de um país sul-americano na Copa do Mundo de 2026.

Por Lucas Alarcão.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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