TDAH ou cansaço? Especialista alerta para o perigo do autodiagnóstico

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A disseminação de vídeos sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) nas redes sociais tem incentivado uma onda de autodiagnósticos que preocupa os especialistas. 

Por condições como burnout, ansiedade, privação de sono e estresse terem sintomas similares com os do transtorno, há quem se autodiagnostique incorretamente com TDAH.

Isso faz com que a pessoa corra o risco de mascarar outras causas que podem melhorar com uma mudança de hábitos.

Atualmente, o mundo ao nosso redor tem se tornado cada vez mais imediatista e as pessoas estão vivendo de uma maneira que as suas rotinas acabam se tornando mais aceleradas a cada dia. 

A neuropsicóloga Michelle Andrade, professora do Centro Universitário de Brasília (CEUB) explica os perigos do autodiagnóstico.

Ela defende que hábitos como exercício físico, boa alimentação, noite de sono, tempo de lazer podem trazer uma melhora para casos que se diferem do TDAH.

Neuropsicóloga Michelle Andrade/ Foto: Arquivo pessoal

O que é o TDAH 

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um problema neurobiológico, de causas genéticas, que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. 

A condição afeta diretamente a parte do lobo frontal do cérebro humano que é responsável pela capacidade de planejar, tomar decisões, focar a atenção, controlar impulsos e regular emoções. 

Essa parcela do encéfalo continua em desenvolvimento durante toda a adolescência e só atinge a maturidade perto dos 25 anos. 

De acordo com a especialista, o Transtorno de Déficit de Atenção é um transtorno do neurodesenvolvimento e isso significa que ele já nasce com a pessoa e pode se apresentar desde a infância.

Ela acrescenta que nem todas as pessoas que têm o transtorno também têm hiperatividade.

Os sintomas do TDAH podem ser percebidos de maneira diferente de acordo com as fases da vida.

A neuropsicóloga afirma que, durante a infância, as crianças já são naturalmente inquietas, porém, quando elas têm TDAH, costumam ser ainda mais agitadas.

“As crianças são muito inquietas, elas não param. Por terem a parte frontal do cérebro ainda pequena e não desenvolvida, elas são mais desorganizadas e agitadas mesmo, é normal da idade. Mas crianças que têm TDAH passam muito dessa normalidade e são muito mais agitadas”, aponta.

Na adolescência, os sintomas são mais perceptíveis por causa da vida escolar.

Geralmente não conseguem se concentrar nas aulas, nos momentos de estudo, se distraem facilmente com o celular ou videogames e isso acaba acarretando em certos prejuízos que limitam esse adolescente na rotina do dia a dia.

O diagnóstico na fase adulta tende a ser um pouco mais complexo na questão pessoal pois os prejuízos dos sintomas refletem em vários aspectos diferentes da vida daquela pessoa. 

A especialista afirma que um adulto com TDAH pende a ter problemas para se organizar de uma maneira mais independente já que em grande parte da nossa infância e adolescência geralmente alguém é responsável pela nossa organização e rotina.

“A nossa vida infantil é muito estruturada, alguém é responsável pela sua organização. Então, se a casa for muito estruturada, essa pessoa passa um TDAH despercebido na adolescência porque ele só vai cumprindo as ordens”, destaca.

A neuropsicóloga relata que existem três tipos de atenção.

A primeira é a atenção sustentada, capacidade de manter o foco em uma única tarefa ou estímulo por um longo período.

A atnção concentrada relaciona-se com o grau de intensidade do foco em algo específico.

Por último, a atenção dividida é a habilidade de realizar ou processar várias tarefas e estímulos ao mesmo tempo.

No TDAH, os todos os três tipos são afetados, porém, o mais prejudicado acaba sendo a atenção sustentada, já que a pessoa tem dificuldade de manter a concentração em algo por muito tempo.

Redes sociais e o autodiagnóstico 

Nos dias de hoje, conteúdos sobre TDAH e outros transtornos podem ser facilmente encontrados nas redes sociais.

De vídeos do Tiktok a postagens no Instagram, esses temas são assuntos recorrentes na internet e podem influenciar negativamente no autodiagnśticos das pessoas que assistem. 

Muitas pessoas veem essa temática na web e acabam, muitas vezes, confundindo os sintomas de cansaço, perda de memória de curto prazo e falta de foco que tem outras causas com um diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. 

Outras condições que podem causar os mesmos indícios são a privação de sono, ansiedade, burnout e até quadros de depressão. A conclusão autônoma do quadro pode mascarar os outros diversos motivos para a pessoa estar com essas indicações que muitas vezes são bem mais simples de serem resolvidas.

A especialista fala que a grande diferença entre um diagnóstico e outro é essa melhora entre o quadro de sintomas.

“A gente fica muito imerso na vida profissional e esquece que o tempo de lazer é extremamente importante. Se depois de uma redução da sua sobrecarga, a pessoa ainda tem os lapsos, então sim, você está no quadro de TDAH. Caso contrário é só uma questão de cansaço mesmo”, indica.

Riscos

O grande risco do autodiagnóstico que as pessoas fazem acontece pela automedicação.

Quando esse indivíduo começa a tomar remédios para um transtorno que não tem, isso pode afetar negativamente o seu organismo. 

Há casos em que a pessoa toma as medicações e acabam obtendo o efeito oposto. A memória piora, pode desenvolver sintomas depressivos e pode também afetar a parte biológica da pessoa causando pressão alta, desequilíbrio hormonal entre outras mazelas.

Por isso se tem um grande risco em pessoas se autodiagnosticarem apenas com as informações que passam em seu feed.

Diagnóstico profissional

Procurar a ajuda de um profissional da área, seja neurologista, psicólogo ou psiquiatra, é importante para que se tenha um diagnóstico correto e o tratamento possa ser feito da maneira certa.

São feitos vários testes diferentes para diagnosticar o TDAH, sendo eles exames neurológicos ou de caráter mais prático como responder a algumas questões e simular os ocorridos do dia a dia.

Todo o processo seguido até chegar na identificação da condição, inclui diversos profissionais de diferentes áreas da saúde que estão aptos a realizar essa análise.

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Por Maria Eduarda Barros

Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira

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